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quarta-feira, 26 de outubro de 2016

SEMANA DO PATRIMÔNIO PARAENSE 2016: Patrimônio Imaterial - Concepção, Abrangência e Valorização.


O Dia do Patrimônio Histórico e Cultural do Estado do Pará é comemorado em 5 de novembro. Foi sancionado pelo governo estadual, por intermédio da Lei de n° 7. 515, de 28 de abril de 2011, que tem por objetivo incluir no calendário paraense esta data.
Para lembrar a importância da valorização do patrimônio local e da promoção de ações de conscientização da população sobre a relevância dos símbolos culturais e imateriais do nosso Estado a Associação dos Agentes de Patrimônio da Amazônia - ASAPAM, membro da Rede Casas do Patrimônio - Pará, promoverá entre os dias 21 e 25 de novembro de 2016 a SEMANA DO PATRIMÔNIO PARAENSE - SPP 2016.

Em comemoração a essa data vamos realizar pelo sexto ano consecutivo uma intensa programação de mesas-redondas e palestras, além de apresentações de trabalhos desenvolvidos nas áreas do patrimônio cultural, artístico e social, por profissionais e estudantes dos diversos campos do conhecimento que dialogam com a temática escolhida para esta semana: "Patrimônio Imaterial: Concepção, Abrangência e Valorização".

O evento pretende fomentar o debate sobre a importância do exercício da cidadania participativa para a preservação, difusão e defesa do patrimônio cultural paraense, bem como apontar uma rede de iniciativas que promovam atitudes de conservação e salvaguarda de nossas vertentes   regionais e cultura tradicional.

SEMANA DO PATRIMÔNIO PARAENSE 2016 tem o apoio do Departamento de Patrimônio Histórico, Artístico e Cultural - DPHAC/SECULT,  Universidade Federal do Oeste do Pará - UFOPA, Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional - IPHAN e Ministério da Cultura - MINC.

SERVIÇO:
SEMANA DO PATRIMÔNIO PARAENSE 2016
Patrimônio Imaterial: Concepção, Abrangência e Valorização.
Data: 21 a 25 de novembro de 2016.
Local: Auditório do IPHAN (Av. Governador José Malcher, esquina da Travessa Benjamin Constant).
Informações:
patrimoniocomunicacao@gmail.com

Informações para inscrições e apresentação de trabalhos no link abaixo:

sexta-feira, 3 de junho de 2016

FESTIVIDADE DE SÃO SEBASTIÃO: Belém recebe a imagem peregrina do Glorioso São Sebastião


A CHEGADA DO GLORIOSO SÃO SEBASTIÃO
Neste sábado, 4/6, acontecerá à chegada da imagem peregrina do Glorioso São Sebastião em Belém que é um desdobramento da Festividade de louvor ao Santo que acontece há 200 anos na Ilha do Marajó. Logo pela manhã, e imagem desembarca na escadinha do cais do porto da CDP/Estação das Docas. A festividade e o louvor ao Santo, acontecerá em Belém durante este primeiro final de semana de junho.

A festividade é organizada pela Irmandade dos Devotos do Glorioso São Sebastião (IDGSS), de Cachoeira do Arari e acontecem de um ano para o outro, começando no mês de julho com as “esmolações” e finalizando em janeiro do outro ano. Durante seis meses, a imagem e os peregrinos percorrem cerca de 300 lugares distintos entre fazendas, retiros e comunidades, abrangendo cerca de 6.000 pessoas nos campos dos municípios de Cachoeira do Arari, Ponta de Pedras, Muaná, Santa Cruz do Arari, Salvaterra, Chaves e Soure.

A Festividade do Glorioso São Sebastião, uma tradição na Ilha do Marajó já foi reconhecida como patrimônio imaterial do Pará, através da Lei Estadual 7.377/2010 e do Brasil também, através do reconhecimento da 74ª reunião do Conselho Consultivo do IPHAN, em 2013.

A peregrinação para Belém acontece desde 2001, visitando cerca de 80 famílias e envolvendo aproximadamente 3.000 pessoas. Este ano, infelizmente, por fatores alheios a vontade a IDGSS, a peregrinação em Belém será substituída por uma celebração concentrada neste final de semana, que acontecerá no Clube dos Correios.

Desde 2008, o Instituto Arraial da Pavulagem vem desenvolvendo o projeto Cordão do Galo, com ações voltadas para crianças e com objetivo de fortalecer a tradição entre os mais jovens.

SERVIÇO
04 de Junho (Sábado)
• 8:30 hs - Saída da Imagem Peregrina de Cachoeira do Ararí às 6 hs, com previsão de chegada em Belém às 08:30 hs na escadinha do cais do porto da CDP/ESTAÇÃO DAS DOCAS.
• 18:00 hs - Folia e Ladainha no Clube dos Correios (ARCO)
05 de Junho (Domingo)
A partir das 11 horas até às 19 horas / Confraternização Cultural Marajoara – Clube dos Correios (ARCO)
Clube dos Correios - Av. Pedro Álvares Cabral, 1240
Marambaia - Belém/PA

CONTATOS
Telefone:(91) 3243-0927
Saiba mais sobre a Irmandade dos Devotos do Glorioso São Sebastião (IDGSS) - Cachoeira do Arari
Fonte: RRN/MINC

segunda-feira, 25 de novembro de 2013

FESTIVIDADE DO GLORIOSO SÃO SEBASTIÃO: A manifestação cultural pode ser a próxima celebração registrada como Patrimônio Cultural do Brasil pelo IPHAN‏.

Imagem: Três momentos da Procissão dos Vaqueiros em Cachoeira do Arari. INRC-Marajó.
Fonte: Acervo Iphan-PA

A devoção a São Sebastião na região do Marajó é fundamental para a construção e afirmação da identidade cultural marajoara. Representa a diversidade e a singularidade da região, na forma como se estrutura e se desenvolve, com elementos próprios. Ao mesmo tempo, possui relevância nacional, na medida em que traz elementos essenciais para a memória, a identidade e a formação da sociedade brasileira. Esta é a conclusão do Departamento de Patrimônio Imaterial do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (DPI/IPHAN) ao avaliar a proposta de Registro das Festividades do Glorioso São Sebastião do Marajó como Patrimônio Cultural do Brasil.
O parecer do DPI destaca ainda a longa continuidade histórica das festividades, realizadas por mais de um século no Marajó.
A proposta de Registro será apreciada pelo Conselho Consultivo do Patrimônio Cultural do IPHAN no próximo dia 27 de novembro, a partir das 10h, em sua sede localizada em Brasília.

quarta-feira, 10 de outubro de 2012

CÍRIO DE NAZARÉ: A Procissão que iguala a todos na Fé.

Devotos portugueses já levavam as imagens de seus santos padroeiros de uma aldeia à outra no final da Idade Média. Para iluminar o caminho e louvar o homenageado, os fiéis levavam consigo grandes velas; no Brasil, apenas no Estado do Pará, a palavra Círio – que vem do latim cereus e, etimologicamente, significa “grande vela de cera” – tornou-se sinônimo de procissão, a procissão de Nossa Senhora de Nazaré.

Imagem 1: Procissão do Círio no Largo de Sant’Ana.
              Fonte: Acervo IMGB, Rio de Janeiro.

Plácido era paraense, agricultor e caçador, e um homem simples e devoto. Segundo uma lenda local, Plácido teria um dia, enquanto voltava para casa, encontrado uma pequena imagem de uma santa entre pedras lodosas às margens do igarapé do Pirí.

Ele levou a Santa envolvida com um manto de seda brilhante para casa. No dia seguinte, quando foi procurá-la, encontrou completamente vazio o pequeno altar onde a guardou. E quando voltou ao local onde a Santa fora encontrada ela estava lá, passando a impressão de que tivesse retornado ao lar. Plácido apanhou a imagem e mais uma vez a levou para casa. Novamente no dia seguinte ela não amanheceu onde foi deixada e já era de se esperar o local onde ela deveria estar.

Não se sabe quantas foram as vezes que Plácido levou a imagem para sua casa e ela voltou sozinha para as margens do igarapé. Devido a este fato, Plácido construiu um pequeno oratório no local do achado que batizou de “O coração do Humilde”, e foi então que teve início a devoção à Nossa Senhora de Nazaré em Belém do Pará.

O Círio como Patrimônio Cultural

A Festividade de Nazaré tem uma importância cultural muito grande para o Estado do Pará, já que engloba muitos assuntos pertinentes ao modo de vida e da cultura local, tais como: pratos típicos servidos no tradicional almoço do Círio, as diversas exposições artísticas e apresentações populares na cidade, o arraial, dentre outras manifestações.

Fotografia 2: Corda do Círio.
Fonte: Internet (2011)

O Círio é uma manifestação religiosa e cultural da sociedade paraense, que sofreu influência dos portugueses que cultuavam a Virgem desde o Cristianismo e vieram para o Brasil com os primeiros religiosos jesuítas. Porém, a devoção à Nossa Senhora de Nazaré, mais precisamente em Belém, se deu a partir do achado da imagem da Santa por um humilde morador da Estrada do Utinga, chamado Plácido José de Souza. 

No Pará, o culto à Virgem de Nazaré ocorreu primeiramente na cidade interiorana de Vigia, o que deixa claro a multiplicidade das formas de pensamento e das características desses povos, os portugueses e os paraenses, fato que configurou o Círio numa manifestação religiosa que ao longo dos anos veio se adequando e caracterizando seu perfil ao dos habitantes de uma cidade que é movida, sobretudo, pela fé.

O Círio como Patrimônio Imaterial

 Patrimônio Imaterial é o conjunto de bens culturais que abrange usos, costumes festas, folguedos, música, dança, entre outras coisas, e o Círio de Nazaré se enquadra nesse contexto porque nele podem-se encontrar vários elementos das duas tradições culturais que contribuíram para a formação do povo paraense, que foram a indígena, com sua culinária e a portuguesa com seus elementos que nos remetem aos Círios de Portugal, como as crianças vestidas de anjo, por exemplo.

Fotografia 3: De joelhos.
Fonte: Internet (2011).

O Círio de Nazaré foi registrado, pelo IPHAN, como Bem Cultural de Natureza Imaterial, sendo o único bem registrado no Livro das Celebrações do Programa Nacional do Patrimônio Imaterial (PNPI) em 05/10/2004.

O Círio é uma manifestação religiosa que ocorre em Belém há mais de duzentos anos, e reúne anualmente cerca de dois milhões de pessoas em uma caminhada de fé e emoção pela capital do Estado do Pará com o objetivo de homenagear a mãe de Jesus, Nossa Senhora de Nazaré.

Durante tantos anos de existência, o Círio é uma tradição que envolve valores, devoção e fé que são passados de geração em geração. É a união de pessoas que passam pela infância, juventude e maturidade esperando ansiosamente pelo segundo domingo do mês de outubro para despertarem cedo de um sono mal dormido, diante de tanta inquietação e euforia para verem passar pelas ruas da cidade uma imagem pequenininha, mas de uma grandiosidade indescritível e inigualável, e sentirem o bálsamo e a benção sendo derramados diretamente em suas almas, não importando o calor, o cansaço e a dor, é uma “pororoca” de devotos movidos por algo maior que eles mesmos, a fé.

 E como se não fosse suficiente, depois de terem visto a “santinha” todos seguem satisfeitos para suas casas aguardando o momento de confraternizar, de rever os parentes que moram distante, os velhos e novos amigos para então saborearem os pratos típicos, a maniçoba e o pato no tucupi.

Depois de tantos momentos de alegria e celebração é chegado ao fim mais um Círio de Nazaré, mas no ano que vem tudo irá se renovar e é por isso que há tanto tempo esse extraordinário acontecimento cresce em número de romeiros, promesseiros, adeptos e simpatizantes.

O Círio de Nossa Senhora de Nazaré é a mais fiel expressão da identidade e valorização da memória de um povo devoto, religioso e orgulhoso de sua cultura, fato que o torna o patrimônio imaterial mais expressivo do Estado do Pará e tem na fé sua continuação e salvaguarda.

A simbologia Santa e Berlinda

Estudos mostram que os símbolos não se constituem naturalmente, eles são criados pela própria sociedade para fazer alusão a alguma situação. Há a necessidade de interpretá-los relativamente à sua significância.

No caso do Círio, a santa na berlinda e seus elementos como: o manto, o globo, os anjos, as coroas, a própria Maria carregando o menino Jesus criam uma relação direta de fé, devoção, emoção entre a sociedade e esse símbolo religioso.

Imagem 4: A Santa na Berlinda.
     Fonte: Internet (2011).
Relativo ao manto, todos os anos se cria uma grande expectativa sobre que manto vestirá Nossa Senhora, e que artista irá confeccioná-lo. Mas além da indiscutível beleza visual e estética, é importante salientar que muitas mensagens de paz, fé e esperança já foram transmitidas por meio dos elementos visuais contidos no manto, sempre buscando o bem da humanidade em geral.

Para os devotos, ver a Mãe de Jesus carregando seu Filho nos braços, dentro de uma berlinda dourada, que guarda a “Rainha da Amazônia”, tão delicadamente ornamentada com flores, sendo puxada por uma corda de fé que enlaça a alma e o coração de cada um dos milhões de filhos que se fazem presentes nas ruas de Belém, derramando sobre eles suas bênçãos e vos acolhendo, sejam eles menos ou mais favorecidos, brancos ou negros, saudáveis ou enfermos, “normais” ou especiais, conterrâneos ou turistas, é o alcance da plena satisfação espiritual e maternal.

Acreditar e confiar que existe uma Mãe soberana que nos guarda sob o seu manto, protegendo cada um de nós de todos os males terrenos, não tem sol, cansaço ou dor que se faça maior que a vontade de estar com Ela todos os anos e é por isso que na alma do paraense é sempre outubro.

Círio de Nazaré: A Construção de um imaginário

No mês de outubro, mais especificamente na segunda semana, a cidade de Belém se transforma na grande capital da fé. Milhões de turistas se deslocam de suas cidades, Estados e até países para participarem do Círio de Nazaré.

Há uma ansiedade geral em torno da visão da imagem da santa em sua berlinda, ícone da procissão, acompanhada pela devoção dos fiéis que, mesmo debaixo do sol e da dor de terem seus pés esmagados e ainda queimados pelo asfalto quente, não desistem de andar lado a lado com sua “mãezinha”, seja na corda - que é ícone e a expressão maior da gratidão pela graça já alcançada ou daquela que está por se alcançar - seja pelas calçadas.

Outro ponto significativo da celebração é observar os promesseiros que fazem todo o percurso de joelhos, sendo ajudados por voluntários, num gesto de generosidade, compaixão e solidariedade. Como conseqüência de tantas manifestações visuais de forte apelo emocional, se constrói toda uma expectativa imaginária sobre o acontecimento.

Quando os turistas deixam suas casas trazem consigo sonhos, euforias, curiosidades, vêm cheios de esperanças e querem constatar o que ficaram sabendo ou ouviram falar, o que é divulgado na mídia, através de jornais, revistas e sites, ou ainda por quem viveu a emoção à flor da pele e compartilhou com o outro.

A cidade se movimenta em torno desta manifestação religiosa, com os aromas que se espalham do ar da maniçoba cozinhando oito dias no fogo, o tucupi do preparo da iguaria com o pato, com as ruas mais limpas e ornamentadas, com as casas passando por pequenas reformas, tudo para receber a “Rainha da Amazônia”, a mais ilustre convidada.

Texto: Verena Merícias

Verena Merícias é Artista Visual e Tecnóloga da Imagem, especialista em Patrimônio Cultural e Educação Patrimonial.
Contato: vmericias@hotmail.com

sábado, 2 de julho de 2011

SÉRIE IMAGENS DO PATRIMÔNIO: Carimbó - Expressão como Cultura.

Elementos culturais do Carimbó.
Fonte: Jeancarlo Carvalho

No Pará, região norte do Brasil, a manifestação cultural conhecida como Carimbó sintetiza uma prática que reúne valores, símbolos e elementos da cultura paraense, e acima de tudo brasileira. Além de demonstrar, em suas peculiaridades, fatos relevantes para a construção da história regional e nacional, em sua essência formada por três povos: o africano, o português e o silvícola, expressa também a riqueza da diversidade inerente a estas culturas.

Mestre e Pesquisadores do Carimbó em Santarém Novo, 2005.
Fonte: Jeancarlo Carvalho

O Carimbó pode ser evidenciado em vários municípios e vilarejos paraenses. Por exemplo, Marapanim, defendido pela sua comunidade como o berço do Carimbó: o seu povo possui como característica a humildade, a simpatia, mostrando-se orgulhosos das riquezas naturais, culturais, históricas e turísticas. O Município de Santarém Novo possui uma particularidade excepcional: lá se dança o Carimbó de paletó e gravata, as mulheres, são “comportadas”, os seus rebolados não são tão sensuais, como ocorrem em outras regiões onde o Carimbó é praticado, se diferenciando dos conceitos de sensualidade sempre salientados pela mídia e estudiosos do Carimbó. Por sua vez, Belém, adaptando esta expressão cultural à modernidade e inserindo equipamentos musicais eletrônicos, faz com que os conceitos dados a esta cultura sejam novamente revistos. Nisto tem-se o conflito entre o tradicional e moderno, que nos últimos anos é recorrente em rodas de conversas de diversos setores sociais, principalmente quando envolve a Cultura Popular.


Mestre Verequete recebendo a comenda  da Ordem do Mérito Cultural.
Fonte: http://revistaraiz.uol.com.br

É importante compreender que o Carimbó não é somente uma música ou uma dança apresentado por casais “dançadores” com roupas e saias coloridas que dançam em uma roda, como sempre é descrito nos livros, manuais e textos acadêmicos. Esta manifestação é bem mais que isso, envolve pessoas, seus saberes e fazeres, o domínio da técnica (arte) da fabricação de instrumentos rústicos (curimbós, flautas de madeiras, banjos, reco reco dentre outros), o cotidiano, o seu modo de vestir, de cantar, de falar, o relacionamento social, econômico e político. Enfim, uma infinidade de possibilidades que seriam impossíveis de se definir por um conceito singular para esta prática cultural e, ainda afirmar que é somente uma particularidade regional, sem importância para a história da sociedade brasileira.


Mestre Lucindo.
Fonte: http://marapanimurgente.com.br

Apesar de o Carimbó ser considerado uma arte popular, símbolo da cultura amazônica brasileira, e por certo, de valor excepcional, com o processo de globalização é inegável que os portadores das manifestações culturais tradicionais, que são os detentores do saber e fazer, principalmente de comunidades interioranas no Brasil, são os que mais sentem os efeitos da assimilação de valores culturais externos e a desvalorização pela sociedade. Por este motivo, esta manifestação está prestes a ser reconhecida pelo governo federal como expressão da cultura imaterial do Brasil, reconhecimento este, que significará o registro oficial como Patrimônio Cultural Brasileiro.  E este processo irá contemplar o carimbó com um caráter oficial, e certamente trará mais visibilidades e reconhecimento devido para os detentores da cultura do Carimbó. O registro de fato é meritório, a continuidade desta expressão popular é fundamental e a sua produção e promoção cultural deve ser cuidadosamente analisada por toda a sociedade para a continuidade deste bem imaterial.

Mestre Venâncio.
Foto: http://baioaras.nafoto.net

Comunidade de Santarém Novo na Roda do Carimbó.
Fonte: Jeancarlo Carvalho

Texto, imagens e pesquisa de imagens: Jeancarlo Carvalho.

Presidente da ASAPAM, Jeancarlo Carvalho é licenciado em História pela Universidade Estadual do Maranhão, especialista em Patrimônio Cultural e Educação Patrimonial, coordenador do 1º Encontro de Carimbó na Escola (Colégio do Carmo, 2008). Contato: jeancarlop@msn.com











sexta-feira, 4 de março de 2011

RECONHECIMENTO: Aparelhagens e tecnomelody foram reconhecidos pela Assembleia Legislativa como patrimônios culturais e artísticos

O tecnomelody e as aparelhagens de som agora são patrimônios culturais e artísticos do Estado. A declaração foi feita na manhã de ontem, na Assembleia Legislativa do Pará (Alepa), onde um projeto de Lei de autoria do deputado estadual petista Carlos Bordalo foi aprovado por unanimidade. A notícia surpreendeu bandas e DJs de norte a sul do Estado, já que ao longo de pelo menos três décadas, o movimento que leva esse tipo de música sofre preconceitos e enfrenta dificuldades para ganhar espaço em outras regiões.

Para o autor do projeto, que agora aguarda a sanção pelo governador Simão Jatene, o tecnomelody e as aparelhagens de som são um 'fenômeno de cultura de massa'. Carlos Bordalo diz que a lei pretende incentivar a melhoria da qualidade musical para que uma grande mobilização social possa servir de modelo de cultura de paz. 'As aparelhagens têm um papel social muito importante, pois o número de jovens que frequenta as festas dessa natureza é impressionante', destaca o parlamentar.

Bordalo reitera que a valorização daquilo que é do povo paraense é necessária para que a cultura se torne cada vez mais referência, e pontua que as aparelhagens e bandas de tecnobrega têm dado um grande salto para reforçar o movimento. 'Espero que a partir desta lei, o poder público possa incentivar mais a manifestação cultural vista no tecnobrega e nas aparelhagens', avalia, revelando que sempre que pode frequenta as festas do gênero. 'Gosto, danço... Sempre gostei. Gosto de ver o povo', conta.
Fonte: http://www.orm.com.br/oliberal/  03/03/2011