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quinta-feira, 11 de junho de 2015

MODO DE FAZER CUIAS DO BAIXO AMAZONAS: Símbolo da identidade paraense integra lista do Patrimônio Cultural Brasileiro.

O modo de fazer cuias no Baixo Amazonas (PA) tornou-se bem registrado

O Conselho Consultivo do Patrimônio Cultural, reunido nesta quinta-feira, 11 de junho, em Brasília, aprovou o pedido de registro do modo de fazer cuias do Baixo Amazonas, no Pará. O 79º encontro que acontece durante o dia na sede do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), em Brasília, avaliou o dossiê sobre a prática artesanal de fazer cuias, desenvolvida entre comunidades indígenas da região há mais de dois séculos, sendo atualmente um ofício praticado por mulheres de comunidades ribeirinhas do Baixo Amazonas. 
O pedido de registro, apresentado pelo Centro Nacional de Folclore e Cultura Popular (CNFCP/Iphan) em novembro de 2010, ressalta as técnicas e o conhecimento utilizados na região para confeccionar este objeto que agregou novos elementos e significados ao longo dos tempos. Os saberes relacionados à produção e utilização de cuias fazem parte das complexas dinâmicas de colonização e ocupação do espaço amazônico, e estão diretamente relacionados ao aproveitamento de recursos naturais disponíveis no Baixo Amazonas. 
Para as populações ribeirinhas locais, as cuias fazem parte do universo cotidiano da comunidade, auxiliando atividades como pegar água do rio, tomar banho, cozinhar, consumir líquidos e outros alimentos, tirar água da canoa, decorar as paredes das casas, vasos de plantas, etc. O repertório de produtos confeccionados com frutos diversos foi ampliado com a aplicação das técnicas de produção da cuia. São fruteiras, copos, jarras, vasos, travessas, braceletes, farinheiras, cache pots, petisqueiras, entre outros. As cuias pintadas, diferente das produzidas com incisões, foram introduzidas no repertório estético das artesãs no século XX, padrão incorporado atualmente em grande parte da ornamentação considerada tradicional.
O Conselho Consultivo analisou a expressão cultural de longa continuidade histórica, mas que se encontra em constante processo de reelaboração, sendo uma tradição que se reitera e se atualiza, tendo relevância nacional na medida em que diz respeito à memória, à identidade e à formação da sociedade brasileira.

O MODO DE FAZER

Artesã das Cuias do Baixo Amazonas.
A preparação das cuias e sua elaboração estética demandam cuidadoso trabalho por parte das artesãs, que dispõem de suas habilidosas mãos para compor as peças. Através da força e sutileza de seus gestos, as mulheres servem-se de seus corpos para produzir objetos cujas técnicas e saberes vêm sendo transmitidas de geração a geração. 
Inicialmente, os frutos retirados da árvore popularmente chamada de cuieira são partidos ao meio com facão ou serrote para secar. As duas metades são acondicionadas para amolecer na água, em bacias ou em pequenos cercados à beira do rio, quando então é realizada uma primeira raspagem das superfícies internas e externas. 
Após este processo, as cuias são expostas ao sol, e inicia-se o processo de tingimento com cumatê, pigmento natural extraído do axuazeiro ou cumatezeiro. A água tingida é passada em ambos os lados das cuias secas, e as peças permanecem sobre um jirau para secar. São alocadas então em um estrado denominado cama ou puçanga, que é preparado com uma camada de areia e cinzas, em local coberto. Nessa camada é borrifada urina humana (para extração da amônia) colhida durante a noite anterior a esta preparação, em cuias grandes denominadas coiós. 
Assim, é colocada uma cobertura de palha sobre a camada molhada com a urina, onde as cuias são emborcadas e abafadas com pano ou lona, permanecendo assim por cerca de seis horas. O procedimento é repetido com as cuias desemborcadas, quando se passa ao processo de ornamentação. 

O CONSELHO CONSULTIVO DO PATRIMÔNIO CULTURAL

Membros do Conselho Consultivo do Patrimônio Cultural.

O Conselho que avalia os processos de tombamento e Registro é formado por especialistas de diversas áreas, como cultura, turismo, arquitetura e arqueologia. Ao todo, são 23 conselheiros, que representam o Instituto dos Arquitetos do Brasil – IAB, o Conselho Internacional de Monumentos e Sítios - Icomos, a Sociedade de Arqueologia Brasileira – SAB, o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis – Ibama, o Ministério da Educação, o Ministério das Cidades, o Ministério do Turismo, o Instituto Brasileiro dos Museus – Ibram, a Associação Brasileira de Antropologia – ABA, e mais 13 representantes da sociedade civil, com especial conhecimento nos campos de atuação do Iphan
A reunião do Conselho Consultivo nesta quinta-feira contou com a presença do conselheiro Luiz Phelipe de Carvalho Castro Andrès, da professora da Universidade Federal de Pernambuco, Cida Pedrosa, da Secretária de Meia Ambiente e Sustentabilidade do Recife, Cida Pedrosa, da presidenta do IPHAN, Jurema Machado, da arquiteta e prima de Burle Marx, Aurora Aragão Santos e da assessora do Vice-prefeito de Recife, Janaina Granja.
FONTE: IPHAN

sexta-feira, 5 de junho de 2015

CUIEIRAS DO BAIXO AMAZONAS: Conselho Consultivo do Patrimônio Cultural se reúne para discutir o registro de mais um bem cultural paraense.

Novos bens no Pará, Pernambuco e Rio de Janeiro podem passar a integrar
o rol do Patrimônio Cultural Brasileiro.

A prática artesanal de fazer cuias, realizada por mulheres de comunidades ribeirinhas do Baixo Amazonas, no Pará; a maestria do paisagismo de seis Jardins de Burle Marx, no Recife (PE); e a história, arte e beleza do parque Campo de Santana, no Rio de Janeiro (RJ), poderão integrar a lista de bens protegidos pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan). As propostas para registro e tombamento serão avalias no próximo dia 11 de junho pelo Conselho Consultivo do Patrimônio Cultural, que estará reunido na sede do Iphan, em Brasília. 

O OFÍCIO DAS CUIAS
O pedido de Registro, apresentado pelo Centro Nacional de Folclore e Cultura Popular (CNFCP/Iphan) em novembro de 2010, ressalta as técnicas e o conhecimento utilizados na região para confeccionar este objeto que agregou novos elementos e significados ao longo do tempo. Os saberes relacionados à produção e utilização de cuias fazem parte das complexas dinâmicas de colonização e ocupação do espaço amazônico, e estão diretamente relacionados ao aproveitamento de recursos naturais disponíveis no Baixo Amazonas. Para a população local, as cuias fazem parte do universo cotidiano da comunidade e são produzidas em sua maioria por mulheres ribeirinhas do Baixo Amazonas. 

Processo artesanal de produção das cuias
no Baixo Amazonas
O ARTESANATO E A TÉCNICA
Tradicionalmente, a comunidade utiliza a cuia para tomar tacacá, que é uma espécie de caldo típico do estado do Pará, preparado com goma, camarão e jambu. É tomado muito quente, temperado com sal e pimenta. A origem deste caldo vem dos índios paraenses.
O artesanato de Santarém é expressado na decoração de cuias. A cuia, que é a principal matéria-prima utilizada, é um fruto da árvore chamada cuieira, que pode apresentar formatos diversos (arredondados, ovalados). A cor natural da cuia é marrom clara, mas para incrementá-la as artesãs usam corantes naturais vindos das folhas da embaubeira, escamas de pirarucu e penas de galinha (usadas como pincel). Não é difícil de consegui-los, pois tudo é encontrado nos quintais das casas das artesãs; as próprias artesãs retiram as cuias das árvores. A produção das cuias é feita conforme as encomendas, o grupo não costuma estocar produtos. Cada artesã tem seu papel no processo produtivo, determinado pela habilidade: cortar, tingir, desenhar, polir. As cuias podem ser transformadas em copos, petisqueiras, tigelas, travessas, maracas, colheres, dentre outros.

O CONSELHO CONSULTIVO DO PATRIMÔNIO CULTURAL
O Conselho que avalia os processos de tombamento e Registro é formado por especialistas de diversas áreas, como cultura, turismo, arquitetura e arqueologia. Ao todo, são 23 conselheiros, que representam o Instituto dos Arquitetos do Brasil – IAB, o Conselho Internacional de Monumentos e Sítios - Icomos, a Sociedade de Arqueologia Brasileira – SAB, o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis – Ibama, o Ministério da Educação, o Ministério das Cidades, o Ministério do Turismo, o Instituto Brasileiro dos Museus – Ibram, a Associação Brasileira de Antropologia – ABA, e mais 13 representantes da sociedade civil, com especial conhecimento nos campos de atuação do Iphan.

SERVIÇO
79ª Reunião do Conselho Consultivo
Data: 11 de junho de 2015
Horário: das 10h às 19h
Local: Sede do Iphan - SEPS Quadra 713/913 – Bloco D – Asa Sul - Brasília – DF.

INFORMAÇÕES
Assessoria de Comunicação Iphan 
comunicacao@iphan.gov.br
Adélia Soares – adelia.soares@iphan.gov.br
Mécia Menescal – mecia.menescal@iphan.gov.br
Isadora Fonseca – isadora.fonseca@iphan.gov.br  
(61) 2024-5461 / 2024-5479/ 2024-5459 / 9381-7543
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segunda-feira, 25 de novembro de 2013

FESTIVIDADE DO GLORIOSO SÃO SEBASTIÃO: A manifestação cultural pode ser a próxima celebração registrada como Patrimônio Cultural do Brasil pelo IPHAN‏.

Imagem: Três momentos da Procissão dos Vaqueiros em Cachoeira do Arari. INRC-Marajó.
Fonte: Acervo Iphan-PA

A devoção a São Sebastião na região do Marajó é fundamental para a construção e afirmação da identidade cultural marajoara. Representa a diversidade e a singularidade da região, na forma como se estrutura e se desenvolve, com elementos próprios. Ao mesmo tempo, possui relevância nacional, na medida em que traz elementos essenciais para a memória, a identidade e a formação da sociedade brasileira. Esta é a conclusão do Departamento de Patrimônio Imaterial do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (DPI/IPHAN) ao avaliar a proposta de Registro das Festividades do Glorioso São Sebastião do Marajó como Patrimônio Cultural do Brasil.
O parecer do DPI destaca ainda a longa continuidade histórica das festividades, realizadas por mais de um século no Marajó.
A proposta de Registro será apreciada pelo Conselho Consultivo do Patrimônio Cultural do IPHAN no próximo dia 27 de novembro, a partir das 10h, em sua sede localizada em Brasília.