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quinta-feira, 2 de fevereiro de 2012

ATO PÚBLICO: Olhos do Patrimônio

Foto:Michel Pinho

      No início dos anos oitenta a praça ferro de engomar, na fronteira entre os bairros da Campina e Batista Campos, foi testemunha de reuniões históricas entre os grupos de teatro, jornalistas e fotógrafos. Lá ficava o famoso bar 3x4 e foi berço da fundação Fotoativa, associação ligada a fotografia e cidadania.

        Esquecida pelo poder público, a praça abriga edificações de valor histórico quase incalculável, como o Palacete Vitor Maria da Silva. A residência do final do século XIX leva o nome de um dos mais importantes engenheiros do período, responsável pelas reformas do Palácio de governo Lauro Sodré (hoje, Museu Histórico do Pará) e da reforma do Teatro da Paz, que inclusive leva suas iniciais na construção. De fino trato e gosto, importou da fábrica de azulejos A. Arnoux e Boulanger & Cie oitos painéis belíssimos. No último dia 28 de janeiro, parte dessa história se perdeu. A casa foi saqueada e parte do rico patrimônio foi danificado para sempre.

Fotos: Octávio Cardoso







     A sociedade civil organizada, arquitetos, historiadores, jornalistas, fotógrafos e demais profissionais se reuniram e decidiram realizar um Ato Público chamado  “Olhos do Patrimônio”. O primeiro objetivo da movimentação política e cultural é exigir do Estado e do Município de Belém uma agenda mínima em relação ao Patrimônio Histórico do Pará e da capital, que inclua a criminalização dos culpados. Outro objetivo é iniciar uma campanha ostensiva através das mídias sociais, imprensa escrita, televisa e radiofônica motivando a população a denunciar roubos, depredações ou descaso com os prédios, praças e monumentos da capital e do interior.

         O Ato Público terá início no sábado (04/02/2012) às 20h, com uma intervenção urbana de artistas paraenses. No domingo (05/02/2012) pela manhã, a programação começa as 9h30, e contará com apresentações de fotovaral, música e  poesia, além de palestras itinerantes sobre o entorno do Casarão Vitor Maria da Silva. 

      Todas as atividades são gratuitas e as inscrições serão feitas somente no local.O Ato Público é organizado pela Associação FotoAtiva, Associação dos Agentes de Patrimônio da Amazônia (ASAPAM), Instituto Peabirú e artistas locais.  

Serviço: Ato público "Olhos do Patrimônio"
Datas: Sábado (04/02/2012) e Domingo (05/02/2012)
Horário: 20h (sábado) e 9h30 as 13h (domingo)
Local: Praça ferro de engomar (arcipreste com presidente pernambuco)

Colabore com a divulgação deste Ato nas redes sociais com a hashtag #OlhosDoPatrimônio, e compareça!

Texto: Michel Pinho e Anna Raquel Castro

sábado, 28 de janeiro de 2012

DENÚNCIA: Palacete Vitor Maria da Silva (Casarão do Ferro de Engomar) sendo destruído pelo descaso



Infelizmente na noite de hoje chegou ao nosso conhecimento mais um exemplo de descaso com o patrimônio histórico de Belém.
Poucos são os que lembram do Palacete Vitor Maria da Silva, também conhecido como Casarão do Ferro de Engomar. Muitas vezes passamos despercebidos por este verdadeiro tesouro da Art Nouveau em Belém e que guarda em seu interior painéis de azulejos criados por A. Arnoux e Boulanger & Cie.

O Palacete em questão, localizado na Veiga Cabral com Presidente Pernambuco, próximo ao Shopping Pátio Belém, está sendo vítima de depredação e ação de meliantes que invadem seu espaço para roubar seus painéis de azulejaria. Segundo informações dos amigos e colaboradores da ASAPAM através de twitter, facebook e email, o prédio foi adquirido pela iniciativa privada mas permanece à mercê da invasão de vândalos.

Vamos fazer valer nossa voz e a Lei Ordinária nº 7709 de 18 de maio de 1994, onde a Câmara Municipal de Belém define em seu Art. 1º que o Poder Público é responsável pela promoção, preservação, conservação, proteção e tombamento, assim como a fiscalização, execução de obras ou serviços visando a valorização do Patrimônio Cultural de Belém e que o município procederá o tombamento parcial ou total de bens de valor histórico, artístico, ambiental ou cultural e que o processo de tombamento poderá ser iniciado a pedido de qualquer interessado, proprietário ou não do bem, por grupo de pessoas, incluindo-se associações ou quaisquer outras organizações interessadas na preservação e proteção da memória cultural (Art. 3º e 4º).

Definitivamente não podemos deixar que esse crime continue!

Fotos: Michel Pinho

Texto de Renata Souza Barros, historiadora - ASAPAM