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quarta-feira, 25 de janeiro de 2017

MINI CURSO: História e Cultura Indígena e Afro-Brasileira para salas de aula.


OBJETIVO
O curso tem o objetivo de apresentar ao público algumas metodologias educacionais e temas que abordam a História e a Cultura, assim como conteúdos que estão imbricados às participações sociais, econômicas e políticas dos povos africanos e americanos no contexto histórico do mundo, além de ofertar a diversos profissionais a possibilidade da troca de experiências educacionais cuja finalidade é se preparar e se qualificar para atender o que dispõe a LEI Nº 11.645, DE 10 MARÇO DE 2008 (...), que estabelece as diretrizes e bases da educação nacional, para incluir no currículo oficial da rede de ensino a obrigatoriedade da temática “História e Cultura Afro-Brasileira e Indígena”.

PÚBLICO ALVO

Professores, estudantes de licenciatura e ou profissionais, pesquisadores interessados no tema do mini curso.

INSCRIÇÕES
asapamhciab@gmail.com

SERVIÇO
Mini Curso: História e Cultura Indígena e Afro-Brasileira para salas de aula.
Ministrante: Jeancarlo Ponte Carvalho.
Local: Auditório do IPHAN (Av. Governador José Malcher, esquina da Travessa Benjamin Constant).
Data/Horário: 08 de Fevereiro de 2017 às 14h30.

CERTIFICADO DE PARTICIPAÇÃO

sábado, 2 de julho de 2011

SÉRIE IMAGENS DO PATRIMÔNIO: Carimbó - Expressão como Cultura.

Elementos culturais do Carimbó.
Fonte: Jeancarlo Carvalho

No Pará, região norte do Brasil, a manifestação cultural conhecida como Carimbó sintetiza uma prática que reúne valores, símbolos e elementos da cultura paraense, e acima de tudo brasileira. Além de demonstrar, em suas peculiaridades, fatos relevantes para a construção da história regional e nacional, em sua essência formada por três povos: o africano, o português e o silvícola, expressa também a riqueza da diversidade inerente a estas culturas.

Mestre e Pesquisadores do Carimbó em Santarém Novo, 2005.
Fonte: Jeancarlo Carvalho

O Carimbó pode ser evidenciado em vários municípios e vilarejos paraenses. Por exemplo, Marapanim, defendido pela sua comunidade como o berço do Carimbó: o seu povo possui como característica a humildade, a simpatia, mostrando-se orgulhosos das riquezas naturais, culturais, históricas e turísticas. O Município de Santarém Novo possui uma particularidade excepcional: lá se dança o Carimbó de paletó e gravata, as mulheres, são “comportadas”, os seus rebolados não são tão sensuais, como ocorrem em outras regiões onde o Carimbó é praticado, se diferenciando dos conceitos de sensualidade sempre salientados pela mídia e estudiosos do Carimbó. Por sua vez, Belém, adaptando esta expressão cultural à modernidade e inserindo equipamentos musicais eletrônicos, faz com que os conceitos dados a esta cultura sejam novamente revistos. Nisto tem-se o conflito entre o tradicional e moderno, que nos últimos anos é recorrente em rodas de conversas de diversos setores sociais, principalmente quando envolve a Cultura Popular.


Mestre Verequete recebendo a comenda  da Ordem do Mérito Cultural.
Fonte: http://revistaraiz.uol.com.br

É importante compreender que o Carimbó não é somente uma música ou uma dança apresentado por casais “dançadores” com roupas e saias coloridas que dançam em uma roda, como sempre é descrito nos livros, manuais e textos acadêmicos. Esta manifestação é bem mais que isso, envolve pessoas, seus saberes e fazeres, o domínio da técnica (arte) da fabricação de instrumentos rústicos (curimbós, flautas de madeiras, banjos, reco reco dentre outros), o cotidiano, o seu modo de vestir, de cantar, de falar, o relacionamento social, econômico e político. Enfim, uma infinidade de possibilidades que seriam impossíveis de se definir por um conceito singular para esta prática cultural e, ainda afirmar que é somente uma particularidade regional, sem importância para a história da sociedade brasileira.


Mestre Lucindo.
Fonte: http://marapanimurgente.com.br

Apesar de o Carimbó ser considerado uma arte popular, símbolo da cultura amazônica brasileira, e por certo, de valor excepcional, com o processo de globalização é inegável que os portadores das manifestações culturais tradicionais, que são os detentores do saber e fazer, principalmente de comunidades interioranas no Brasil, são os que mais sentem os efeitos da assimilação de valores culturais externos e a desvalorização pela sociedade. Por este motivo, esta manifestação está prestes a ser reconhecida pelo governo federal como expressão da cultura imaterial do Brasil, reconhecimento este, que significará o registro oficial como Patrimônio Cultural Brasileiro.  E este processo irá contemplar o carimbó com um caráter oficial, e certamente trará mais visibilidades e reconhecimento devido para os detentores da cultura do Carimbó. O registro de fato é meritório, a continuidade desta expressão popular é fundamental e a sua produção e promoção cultural deve ser cuidadosamente analisada por toda a sociedade para a continuidade deste bem imaterial.

Mestre Venâncio.
Foto: http://baioaras.nafoto.net

Comunidade de Santarém Novo na Roda do Carimbó.
Fonte: Jeancarlo Carvalho

Texto, imagens e pesquisa de imagens: Jeancarlo Carvalho.

Presidente da ASAPAM, Jeancarlo Carvalho é licenciado em História pela Universidade Estadual do Maranhão, especialista em Patrimônio Cultural e Educação Patrimonial, coordenador do 1º Encontro de Carimbó na Escola (Colégio do Carmo, 2008). Contato: jeancarlop@msn.com











quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011

FESTAS DE APARELHAGEM: Um outro olhar

(Em 1976 surgiu a primeira aparelhagem de som no Pará chamada Príncipe Negro. Antigo "Principe Negro" - Lucival Campos,sentado e Jorge Barao, em pé)

Aparelhagem. Manifestação cultural existente na região norte do Brasil, no estado do Pará. Uma parafernália tecnológica comandado por uma ou duas pessoas, conhecidas como DJs, e nas suas “naves” de som, controlam um equipamento que faz milhares de pessoas dançarem. Só na capital paraense existem cerca de 300 aparelhagens em atividade. Nas mais famosas – como Tupinambá, Rubi e Popsom, por exemplo – vigora um código próprio, que inclui gestos, roupas, cores e coreografias.

A festa promove um momento extraordinário, fora do comum, diferente de qualquer show existente. O público compra os ingressos, não para ver artistas, cantores e dançarinos, as pessoas vão para as festas para verem a Aparelhagem, fazerem símbolos como S do SuperPop, o T do Tupinambá, o P do Príncipe Negro, a Pedra do Rubi entre tantos outros, e também para cantar as músicas temas de cada Aparelhagem, sendo a marca registrada de cada grupo nestas festas, e destacando no meio de tudo isso a interatividade entre o(s) DJs e o público, e as músicas locais como tecnobrega.

Além do tecnobrega, outras músicas também são tocadas, de acordo com a época, ou até aquelas, que estão na moda. Funk, Carimbó, brega, flashbrega, músicas juninas, entre tantos outros, fazem parte do repertório neste mundo das Aparelhagens. Entretanto, a que define melhor este contexto social é sem dúvidas as músicas tecnobrega. A auto-afirmação pode ser sentida na musica Batida da Amazônia da banda Tecnoshow, onde nela percebemos a(s) forma(s) cultural (is) existente(s) no Pará, a cabocla, a erudita, de massa, a tradicional, a popular, nos fazendo refletir os conceitos de culturas.


Conceituar a Festa de Aparelhagem, não é tão complexo. No entanto, para um grupo seleto de pessoas, a sua aceitação como Cultura, é algo conflitante. O fato é que não temos como negar que esta manifestação é um fenômeno cultural e envolve diversas classes sociais de Belém e traz para a sua especificidade cultural a modernidade e a tecnologia, como qualquer cultura existente, sempre terá pensamentos e conclusões conflituosas.

E é necessário observar ainda que este assunto merece atenção, e deve certamente ser colocado em pauta de debates, seja na escola, seja em secretárias ou órgãos governamentais ligados a cultura, seja na política, enfim, com infinitas possibilidades de idéias e propostas de diversos setores sociais da nossa sociedade.
            
Texto: Jeancarlo Pontes, presidente da ASAPAM