O curso tem o objetivo de apresentar ao
público algumas metodologias educacionais e temas que abordam a História e a
Cultura, assim como conteúdos que estão imbricados às participações sociais,
econômicas e políticas dos povos africanos e americanos no contexto histórico
do mundo, além de ofertar a diversos profissionais a possibilidade da troca de
experiências educacionais cuja finalidade é se preparar e se qualificar para
atender o que dispõe a LEI Nº 11.645, DE 10 MARÇO DE 2008 (...), que estabelece
as diretrizes e bases da educação nacional, para incluir no currículo oficial
da rede de ensino a obrigatoriedade da temática “História e Cultura
Afro-Brasileira e Indígena”.
PÚBLICO ALVO
Professores, estudantes de licenciatura e
ou profissionais, pesquisadores interessados no tema do mini curso.
INSCRIÇÕES
asapamhciab@gmail.com
SERVIÇO
Mini Curso: História e Cultura Indígena e Afro-Brasileira para salas de aula.
Ministrante: Jeancarlo Ponte Carvalho.
Local: Auditório do IPHAN (Av. Governador José Malcher, esquina da Travessa Benjamin Constant).
Elementos culturais do Carimbó. Fonte: Jeancarlo Carvalho
No Pará, região norte do Brasil, a manifestação cultural conhecida como Carimbó sintetiza uma prática que reúne valores, símbolos e elementos da cultura paraense, e acima de tudo brasileira. Além de demonstrar, em suas peculiaridades, fatos relevantes para a construção da história regional e nacional, em sua essência formada por três povos: o africano, o português e o silvícola, expressa também a riqueza da diversidade inerente a estas culturas.
Mestre e Pesquisadores do Carimbó em Santarém Novo, 2005. Fonte: Jeancarlo Carvalho
O Carimbó podeser evidenciadoem vários municípios e vilarejos paraenses. Por exemplo, Marapanim, defendido pela sua comunidade como o berço do Carimbó: o seu povo possui como característica a humildade, a simpatia, mostrando-se orgulhosos das riquezas naturais, culturais, históricas e turísticas. O Município de Santarém Novo possui uma particularidade excepcional: lá se dança o Carimbó de paletó e gravata, as mulheres, são “comportadas”, os seus rebolados não são tão sensuais, como ocorrem em outras regiões onde o Carimbó é praticado, se diferenciando dos conceitos de sensualidade sempre salientados pela mídia e estudiosos do Carimbó. Por sua vez, Belém, adaptando esta expressão cultural à modernidade e inserindo equipamentos musicais eletrônicos, faz com que os conceitos dados a esta cultura sejam novamente revistos. Nisto tem-se o conflito entre o tradicional e moderno, que nos últimos anos é recorrente em rodas de conversas de diversos setores sociais, principalmente quando envolve a Cultura Popular.
É importante compreender que o Carimbó não é somente uma música ou uma dança apresentado por casais “dançadores” com roupas e saias coloridas que dançam em uma roda, como sempre é descrito nos livros, manuais e textos acadêmicos. Esta manifestação é bem mais que isso, envolve pessoas, seus saberes e fazeres, o domínio da técnica (arte) da fabricação de instrumentos rústicos (curimbós, flautas de madeiras, banjos, reco reco dentre outros), o cotidiano, o seu modo de vestir, de cantar, de falar, o relacionamento social, econômico e político. Enfim, uma infinidade de possibilidades que seriam impossíveis de se definir por um conceito singular para esta prática cultural e, ainda afirmar que é somente uma particularidade regional, sem importância para a história da sociedade brasileira.
Apesar de o Carimbó ser considerado uma arte popular, símbolo da cultura amazônica brasileira, e por certo, de valor excepcional, com o processo de globalização é inegável que os portadores das manifestações culturais tradicionais, que são os detentores do saber e fazer, principalmente de comunidades interioranas no Brasil, são os que mais sentem os efeitos da assimilação de valores culturais externos e a desvalorização pela sociedade. Por este motivo, esta manifestação está prestes a ser reconhecida pelo governo federal como expressão da cultura imaterial do Brasil, reconhecimento este, que significará o registro oficial como Patrimônio Cultural Brasileiro.E este processo irá contemplar o carimbó com um caráter oficial, e certamente trará mais visibilidades e reconhecimento devido paraos detentores da cultura do Carimbó.O registro de fato é meritório, a continuidade desta expressão popular é fundamental e a sua produção e promoção cultural deve ser cuidadosamente analisada por toda a sociedade para a continuidade deste bem imaterial.
Mestre Venâncio. Foto: http://baioaras.nafoto.net
Comunidade de Santarém Novo na Roda do Carimbó. Fonte: Jeancarlo Carvalho
Texto, imagens e pesquisa de imagens: Jeancarlo Carvalho.
Presidente da ASAPAM, Jeancarlo Carvalho é licenciado em História pela Universidade Estadual do Maranhão, especialista em Patrimônio Cultural e Educação Patrimonial, coordenador do 1º Encontro de Carimbó na Escola (Colégio do Carmo, 2008). Contato: jeancarlop@msn.com
(Em 1976 surgiu a primeira aparelhagem de som no Pará chamada Príncipe Negro. Antigo "Principe Negro" - Lucival Campos,sentado e Jorge Barao, em pé)
Aparelhagem.
Manifestação cultural existente na região norte do Brasil, no estado do Pará.
Uma parafernália tecnológica comandado por uma ou duas pessoas, conhecidas como
DJs, e nas suas “naves” de som, controlam um equipamento que faz milhares de
pessoas dançarem. Só na capital paraense existem cerca de 300 aparelhagens
em atividade. Nas mais famosas – como Tupinambá, Rubi e Popsom, por
exemplo – vigora um código próprio, que inclui gestos, roupas, cores e
coreografias.
A festa
promove um momento extraordinário, fora do comum, diferente de qualquer show
existente. O público compra os ingressos, não para ver artistas, cantores e
dançarinos, as pessoas vão para as festas para verem a Aparelhagem, fazerem
símbolos como S do SuperPop, o T
do Tupinambá, o P do Príncipe Negro, a Pedra do Rubi entre tantos outros, e
também para cantar as músicas temas de cada Aparelhagem, sendo a marca
registrada de cada grupo nestas festas, e destacando no meio de tudo isso a
interatividade entre o(s) DJs e o público, e as músicas locais como tecnobrega.
Além do tecnobrega,
outras músicas também são tocadas, de acordo com a época, ou até aquelas,
que estão na moda. Funk, Carimbó, brega, flashbrega, músicas juninas, entre tantos outros,
fazem parte do repertório neste mundo das Aparelhagens. Entretanto, a que
define melhor este contexto social é sem dúvidas as músicas tecnobrega. A auto-afirmação pode
ser sentida na musica Batida da Amazônia da banda Tecnoshow,
onde nela percebemos a(s) forma(s) cultural (is) existente(s) no Pará, a cabocla, a
erudita, de massa, a tradicional, a popular, nos fazendo refletir os conceitos
de culturas.
Conceituar
a Festa de Aparelhagem, não é tão complexo. No entanto, para um grupo seleto de
pessoas, a sua aceitação como Cultura, é algo conflitante. O fato é que não
temos como negar que esta manifestação é um fenômeno cultural e envolve
diversas classes sociais de Belém e traz para a sua especificidade cultural a
modernidade e a tecnologia, como qualquer cultura existente, sempre terá
pensamentos e conclusões conflituosas.
E é
necessário observar ainda que este assunto merece atenção, e deve certamente
ser colocado em pauta de debates, seja na escola, seja em secretárias ou órgãos
governamentais ligados a cultura, seja na política, enfim, com infinitas
possibilidades de idéias e
propostas de diversos setores sociais da nossa sociedade.